Deus quer se revelar a nós, nos aproximemos d'Ele!
- Coisas do Alto
- 17 de fev. de 2021
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Eis o tempo favorável! Tempo de conversão, de encontro com o Senhor, tempo de buscá-lO no escondido, tempo de intimidade, tempo propício para a vivência da oração, para o jejum e para a esmola.
Iniciamos a quaresma nesta quarta-feira de cinzas e somos convidados a vivermos um dia de jejum, prática que nos ensina o domínio do nosso corpo e, com a graça de Deus, controlar as nossas vontades, treinando a nossa decisão de seguirmos a Deus e lutar contra o pecado.
O Evangelho de hoje (Mateus 6, 1-6; 16-18) vem nos revelar a importância da vivência das prática quaresmais, é como um tripé que nos auxilia no nosso processo de conversão: esmola, jejum e oração.
Mas existe uma questão importantíssima neste trecho do Evangelho: Deus vê o escondido, Deus está no escondido!
A nossa espiritualidade não pode, jamais, ter como propósito receber os "louvores" das pessoas, não podemos viver o jejum, a esmola e a oração com o fim último de sermos vistos pelos outros, reconhecidos pela grandeza da nossa bondade, da nossa humildade, da nossa santidade. Se pensamos e agimos assim, qual a recompensa de tais práticas? Não haverá crescimento espiritual, apenas alimentaremos o nosso orgulho e a nossa vaidade.
A verdadeira humildade pressupõe escondimento. O jejum, por exemplo, deve agradar a Deus, nos leva a exercitar o domínio e a purificação das nossas vontades, tem como intenção a nossa conversão e, vivido assim, é agradável aos olhos do Senhor. Por isso o Evangelho de hoje nos diz "quando jejuardes, cinge tua cabeça e lava o teu rosto, para que os homens não percebam que estás jejuando, mas apenas o teu Pai, que está lá segredo, e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará" (Mt 6, 17-18).
O mesmo se pode dizer da esmola: "não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que tua esmola fique em segredo, e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará" (Mt 6, 3-4).
Também a oração deve ser vivida no escondimento. Muito bem conceitua Santa Terezinha que "a oração é a respiração da alma" e ela não possui outra finalidade que não nos aproximar de Deus, propiciar um diálogo com Ele. A oração vivida de outra forma, nos "palanques", nas câmeras, a oração vivida com a simples finalidade de atrair para nós mesmos a atenção dos outros, não é oração, não nos aproxima de Deus, não converte o nosso coração. Triste realidade tão comum nos dias de hoje, uma falsa prática de um "piedosismo" superficial. Jesus nos ensina, neste Evangelho de hoje a viver a verdadeira prática da oração: "quando orares, entra no teu quarto e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está lá, no segredo, e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará" (Mt 6,6).
Veja que belo ensinamento neste pequeno trecho da Palavra de Deus! A oração é um encontro íntimo entre a alma e seu Criador, e Ele nos espera, ansiosamente para este momento. Deus se revela na intimidade do nosso coração, no silêncio, na escuta atenta, é aí que Ele fala, exorta, cura e nos ama profundamente. A oração é momento de recolhimento, onde adentramos no mais íntimo de nós mesmos, deixando para fora toda preocupação, toda agitação, tudo aquilo que possa nos distrair, por isso fechamos a porta para encontrarmos Deus no segredo do nosso coração.
Que possamos nesta quaresma, de hoje até o seu último dia, aproximarmos cada vez mais do Senhor, por isso te convido a estabelecer um momento diário de oração, de diálogo com Deus. O Senhor deseja nos encontrar, a cada dia, a cada amanhecer, Ele anseia pela nossa conversão e a Igreja, como mãe, nos oferece este tempo quaresmal como tempo propício para esta vivência.
Voltemos nosso coração ao Senhor, sem receios, sem medos, pois Deus nos promete que "ainda que vossos pecados subam da terra até o céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se voltardes para mim de todo o coração e disserdes 'Pai', eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas" (Is 1, 18; 63,16; 64,7; Jr 3,4; 31,9).
Imploremos, neste tempo favorável, a bondosa misericórdia de Deus, convertamo-nos em seu amor, sejamos humildes de coração, fixemos nosso olhar no Senhor e colheremos certamente os frutos deste tempo.





Excelente reflexão! A oração não é sobre aparências, é sobre nossa relação com Deus. Vou tentar, nesse tempo de Quaresma, voltar o meu olhar para o 'segredo' onde Deus me aguarda