Eis o tempo favorável: voltar ao Senhor de todo o coração!
- Allan Dionisio
- há 9 horas
- 2 min de leitura
Quarta-feira de cinzas - 18/02/2026
“Eis agora o tempo favorável, eis agora o dia da salvação” (2Cor 6,2).
A Igreja inicia novamente a Quaresma e, com ela, retorna o chamado essencial: conversão. Não se trata de uma repetição litúrgica, mas de uma oportunidade. Se as leituras são as mesmas de outros anos, nós não somos os mesmos. A Palavra permanece a mesma, imutável, somos nós quem precisamos voltar a escutá-la com abertura de coração, com o desejo de mudança, de transformação interior.
Na primeira leitura, o profeta Joel traz um apelo direto: “Voltai para mim de todo o vosso coração”. Não é um convite! O profeta fala de rasgar o coração, não as vestes. Essa passagem nos leva a perceber que Deus não deseja gestos exteriores desconectados da vida.
Há também algo consolador nessa passagem: “Ele é benigno e misericordioso, paciente e cheio de amor”. A conversão não nasce do medo, mas da confiança. Voltamos, pois sabemos quem é Aquele nos espera.
Na segunda leitura São Paulo também nos interpela: “Reconciliai-vos com Deus”. Não é apenas um conselho, é um apelo urgente. A reconciliação não é algo automático, exige decisão, humildade e reconhecimento de que nós precisamos da graça de Deus.
No Evangelho Jesus nos apresenta o caminho concreto para este caminho: esmola, oração e jejum. Não como exibição, mas como vida escondida.
Nosso Senhor insiste em um ponto que atravessa todo o texto: “Teu Pai, que vê no segredo”.
A Quaresma é um tempo de se encontrar com a nossa verdade! Deus não não se impressiona com práticas exteriores que apenas impressionam aqueles que estão à nossa volta, Ele vê a intenção, vê o coração, aquilo que ninguém mais enxerga...
O jejum, quando vivido corretamente, não é demonstração pública de sacrifício, mas disciplina interior, é ordenar desejos, recordar que nem tudo o que queremos nos faz bem.
A esmola não é autopromoção, é romper com o egoísmo e reconhecer que o outro não é um obstáculo, mas um irmão, o meu próximo.
A oração, por sua vez, é o centro de tudo, sem ela o jejum vira dieta e a esmola vira filantropia! A oração nos coloca diante de Deus como filhos amados, no silêncio, sem palco, sem plateia.
Talvez o maior risco do nosso tempo seja transformar a espiritualidade em vitrine. Mas Jesus nos propõe um caminho contrário: quarto fechado, gesto discreto, decisão silenciosa que só Deus conhece...
A Quaresma começa com a mesma pergunta de sempre: estamos dispostos a voltar? Dispostos a não apenas ajustar comportamentos externos, mas a rasgar o coração?
“Eis o tempo favorável”, não amanhã, não quando as circunstâncias melhorarem. Agora!
Voltemos ao Senhor. Ele não se cansa de esperar!



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