Magnanimidade: a coragem de não ser pequeno
- Allan Dionisio
- há 5 dias
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Atualizado: há 8 horas
(Reflexões a partir de Grandeza de Coração, de Dom Rafael Llano Cifuentes)
Há virtudes que parecem distantes porque foram mal compreendidas, a magnanimidade é uma delas. Costumamos pensar que buscar algo grande é sinal de vaidade, que sonhar alto nos leva à soberba, que a verdadeira humildade consiste em não ser percebido. O livro "Grandeza de Coração" desmonta essa falsa imagem que temos sobre essa virtude com perfeição.
A grandeza de coração começa em nossa mente, pois uma alma pequena se acostuma àquilo que é o mínimo necessário, cumpre o que é seu dever básico, evita o que pode gerar riscos, enfim, busca conforto moral. Mas a alma que é magnânima não se contenta com a mediocridade, deseja o máximo bem possível!
E aqui está um ponto importante: o maior ideal ao qual alguém pode aspirar é a santidade, não uma santidade "decorativa", mas uma santidade concreta, coerente, constante, intensa. O livro do Apocalipse é muito direto quanto à vivência da tibieza, que é o oposto da magnanimidade: “porque és morno…”. Não se trata de fazer tudo em grande escala, mas de fazer tudo com grandeza interior.
Ser magnânimo não é querer aparecer. É querer corresponder àquilo que Deus me chama a viver, às respostas que preciso dar diante da minha vivência de fé no mundo. Essa correspondência passa pela educação da nossa consciência. Não podemos nos acomodar no “tanto faz”, não basta que sejamos educados superficialmente ou “bonzinhos”. No amor nada é insignificante! Pequenas ações, feitas com grandeza, constroem uma vida coerente e madura.
Mas existe um paradoxo que o livro nos leva a refletir: a alma grande é humilde.
Ser humilde não é negar talentos, nem diminuir aspirações, mas conhecer a própria realidade com verdade. Quem se conhece pode servir melhor, quem reconhece suas limitações pode superá-las, quem reconhece seus dons entende que eles são uma responsabilidade, não apenas um enfeite.
Se não temos a humildade, qualquer sonho ou projeto é contaminado pela soberba, mas sem sonhos ou projetos, a humildade passa a ser acomodação...
Também não há magnanimidade sem generosidade! Viver a grandeza de coração não é apenas uma teoria bonita, é estilo de vida, é dar o melhor, e não apenas aquilo que sobra, é reservar tempo para quem precisa, gastar energia com causas que ultrapassam o nosso próprio interesse.
O coração que é grande tem espaço, não é seletivo no amor, não restringe a dignidade humana ao grupo com o qual concorda. O coração que é grande entende que Cristo se entregou por todos, e essa consciência dilata a nossa alma.
Mas existe algo indispensável para viver a grandeza de coração: amizade com Deus! Sem uma vida de oração, a magnanimidade vira ativismo ou orgulho disfarçado. A relação com Deus, na oração de intimidade, purifica as nossas intenções, corrige excessos e sustenta quando os resultados não aparecem. A grandeza cristã não depende de aplauso, ela depende de fidelidade.
Talvez o exame mais honesto seja este: estou vivendo abaixo do que Deus espera de mim por comodidade? Estou me educando para o alto ou para o confortável? Minha vida espiritual é intensa ou morna? Apenas a grandeza de coração torna a nossa vida verdadeiramente proporcional ao chamado que recebemos!



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